Estacionar na Alta de Coimbra custa três horas por mês

Ora aqui fica um artigo muito interessante do Publico.pt. Se me permitem a minha opiniao, para mim era so mesmo autocarros. E bloqueava-se o acesso aos carros a partir dos arcos e na cortada do cimo da Padre Antonio Vieira, onde esta a reprografia das Zoologias, aquela rua estreita que a malta sobe quando bem do Garcias :D (nao podia deixar esta descriçao ehhe). Nao sou muito de acordo com o Metro e o Estacionamento, acho que Coimbra nao é cidade para isso.

Com os projectos do Metro Mondego e da candidatura a Património da Humanidade em curso, Coimbra vive “um momento único para intervir” no estacionamento na Alta universitária. É “um problema” com implicações no património e no ambiente, defendem autores de estudo.

A Alta universitária de Coimbra, como a conhecemos, vai mudar. Com a candidatura a Património da Humanidade em curso, o número de carros que aqui circula e se estacionam, de forma legal e ilegal, terá que diminuir. Há “um problema estrutural” ligado às questões do tráfego e do estacionamento na zona e foi essa constatação que motivou João Pedro Ferreira a dedicar uma tese de mestrado ao tema.

Durante 11 dias, entre as 7h30 e as 10h30, este aluno da faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (UC) foi contar carros para aquela zona, “para ver em que momento é que se dava a saturação da oferta”. De acordo com os inquéritos realizados, os automobilistas perdem em média três horas por mês à procura de um lugar para estacionamento. Entre as 8h30 e as 8h40, o estacionamento gratuito e legal fica saturado; entre as 9h00 e as 9h10, fica preenchido o ilegal; e, só depois, entre as 9h20 e 9h30, são ocupados os lugares com parquímetros.

Quase 80 por cento dos automobilistas estão “insatisfeitos ou muito insatisfeitos com a disponibilidade de estacionamento no Pólo I”. Por outro lado, 50 por cento dos utentes de transportes públicos estão satisfeitos ou muito satisfeitos com o serviço. Mais: 75 por cento dos automobilistas admitem pagar para terem um lugar de estacionamento garantido e cerca de 74 por cento dizem que, mediante a subsidiação parcial ou total do passe de transporte público, estariam disponíveis para abdicar do automóvel.

Articular soluções
João Pedro Ferreira e os investigadores que acompanharam o estudo acreditam que é possível mudar a face da Alta. E estão confiantes quanto às potencialidades do projecto do Metro Mondego, desde que articulado com o parque de estacionamento subterrâneo previsto para o Largo D. Dinis, onde vão caber 400 carros. “Não somos contra o parque, mas apenas poderá ser parte da solução. Terá que ser articulado”, defende um dos orientadores da tese, Eduardo Barata, argumentando, porém, que “estes problemas se resolvem sobretudo controlando a procura e não aumentando a oferta” de estacionamento.
Há 1351 lugares de estacionamento na Alta: 35 por cento gratuitos e legais; 10 por cento ilegais; 42,5 por cento de acesso condicionado da UC (mediante pagamento de 160 euros por ano); e 10 por cento de estacionamento pago, com parquímetros, na rua Padre António Vieira.

A solução para descongestionamento da Alta deverá passar pelo uso dos transportes públicos. Luís Cruz, também orientador da tese, acredita que, se estes transportes forem fiáveis, as pessoas acabam por aderir. João Pedro Ferreira explica que “ninguém está disposto a perder o emprego ou a levar uma repreensão porque o autocarro nunca vem à hora certa”: “Não pode haver nenhum risco associado ao uso do autocarro”, sublinha.

Metro pode ser a solução
O projecto do metro prevê uma paragem nos Arcos do Jardim, a cerca de cinco minutos a pé da Alta Universitária. De acordo com o previsto, nas horas de ponta, existirá um intervalo de 2,5 a 5 minutos entre cada viagem. Por isso, Eduardo Barata espera que Coimbra adira em “em massa” ao projecto.

O presidente da empresa Metro Mondego, Álvaro Seco, considera, até como especialista em transportes, que, desde que “seja usado no essencial para eliminar grande parte do estacionamento” à superfície, o parque previsto para o D. Dinis “não condiciona o metro”. Defende, porém, que o estacionamento na praça D. Dinis “deve desaparecer”, assim como em frente à Faculdade de Letras: “É uma zona demasiado nobre para ter estacionamento. Se o parque de estacionamento enterrado na zona de D. Dinis servir para eliminar esse parque de estacionamento, parece me uma boa troca”, defende.

Ainda de acordo com o estudo, cerca de 75 por cento das pessoas estariam dispostas a pagar até 5 euros por um lugar (cerca de 35 por cento, estariam dispostas a pagar até um euro; cerca de 28,6 por cento, entre um e dois euros, e 10,7 por cento, entre dois e cinco euros).

Com essas receitas poder-se-ia subsidiar passes de transportes públicos aos utentes da universidade que se desloquem para o campus. Eduardo Barata conta que oito universidades americanas o fizeram, impondo, ao mesmo tempo, restrições muito fortes ao estacionamento dentro do campus: “A utilização dos transportes públicos nalgumas delas subiu cerca de 400 por cento”, diz.

O vice-presidente da autarquia, Barbosa de Melo, admite que “não está no horizonte próximo” introduzir mais parquímetros na zona das faculdades. Ainda assim, reconhece que “a confusão é muito grande na zona” e que “é fundamental por alguma ordem naquele caos”.

Há ainda as questões ambientais que preocupam o Provedor do Ambiente e de Qualidade de Vida de Coimbra: “Há picos matinais [de poluição], o que “poderá ter a ver com o maior fluxo de pessoas àquela hora para a universidade e também com as dificuldades para encontrarem um local para estacionamento”, diz Massano Cardoso, alertando também para a poluição sonora.

Apesar de o pico de tráfego ser maior entre 8h00 e as 9h00, a qualidade do ar é pior entre as 9h00 e as 10h00. “É aquele momento em que os carros andam à procura de lugar sem o encontrarem”, diz João Pedro Ferreira.

5 thoughts on “Estacionar na Alta de Coimbra custa três horas por mês

  1. Também concordo contigo. Dei a minha opinião consoante a minha situação. A questão é que é muito difícil conciliar tudo: questões amientais, tempo, n coisas para fazer. No meu caso, que moro muito longe, não há outro remédio se tiver o tempo contadinho. Agora, sei de pessoal que mora a 5 minutos da Univ e traz o carro! Penso que a melhor maneira, apesar de ser bastante difícil, seria avaliar cada caso. A única razão pela qual estaciono mesmo no Departamento é porque vou muito carregada, Mas se os assaltos nessas zonas que falas, não tivessem aumentado, eu não teria medo de lá colocar o carro. Até na Universidade já se roubam carros! Depois, há o problema da rapidez e das menos horas que se dorme só para apanhar o autocarro que, habitualmente, é uma hora ou uma hora e meia antes da hora a que entras. Eu digo estas coisas, mas adoro andar de autocarro! Se calhar, se não tivesse carro safava-me na mesma. Mas pronto, acomodei-me;) Na praça até se pode pagar, mas na Padre Ant Vieira? Onde basicamente só moram estudantes?

    O grande problema do parque no largo DDinis é a estátua. Gostava de saber o que se passou para terem parado com as obras:s

    Quanto a Lisboa, pelo menos nas zonas principais da cidade, aquilo é tudo plano! Pelo menos é que se vê de fora ^^

  2. Inês, Lisboa é tudo menos plana!! Cidade das Sete Colinas?

    E discordo também do não pagamento de estacionamento. Andar de carro na cidade contribui para o aumento de poluição, sonora e ambiental. Se muita gente andar de carro, ficas cheia de filas de trânsito e os autocarros deixam de funcionar decentemente também (apesar das faixas BUS).

    Acho que se devia pagar pelo estacionamento em qualquer zona nobre da cidade, com alguns pontos de estacionamento livres espalhados aqui e acolá. E isto inclui a praça! Se fores pela Rua da Sereia acima (que vai dar ao JF) pagas o estacionamento? E do lado da Via? E ao pé do Avenida?

    Os transportes públicos podiam ser melhorados sim, mas é isso que se está a tentar fazer, de forma anormal e megalómana, com o Metro. É outra opção. E o parque de estacionamento no D.Dinis é uma óptima ideia se for bem executada. Já viste bem o tamanho daquela praça? Imagina a quantidade de carros que lá cabe em baixo num estacionamento com 2/3 níveis. Agora espero é que a Universidade aproveite e faça desse estacionamento algum lucro, oferecendo por exemplo licenças anuais/semestrais de estacionamento.

    As pessoas esperam ter estacionamento a 2 minutos do Departamento. Numa cidade como Coimbra é impossível. Já tens a 5/7 minutos e tens bastantes. Acho (mas isto sou eu que gosto de andar) que é bastante bom dadas as condições :)

    Obrigado pelo comentário! Beijinho!*

  3. Isto tudo é muito bonito, se a porra dos estacionamentos em Coimbra não se pagassem! Se não se pagasse na Praça da República, eu deixaria o carro cá em baixo e pouparia a zona histórica que é representada pela Universidade. Sendo assim, não dou nem um tusto para a Câmara e muito menos me sujeito a que os filhos da mãe da polícia municipal me multem ou me bloqueiem o carro. Como tal, independentemente de entrar às 9h ou às 11h, chego à Universidade às 8h20/8h30 para ter o meu lugar garantido. Porque nunca na vida eu me conseguia safar sem carro, porque moro longe e porque os autocarros não funcionam de todo!

    A solução não passa em construirem um Metro, ou criar um parque subterrâneo na Praça DDinis (Que já falhou uma vez e há-de falhar mais, de certeza). Passa por deixar de cobrar dinheiro de estacionamento. Porque Coimbra é tipo Lisboa que é sempre recto.. Isto é sempre a subir e querem criar um Metro? Não têm mesmo mais nada onde gastar o dinheiro..

  4. Isso depende. Eu, por exemplo, vivendo nos subúrbios e com poucos transportes públicos não seria capaz de chegar a tempo a qualquer lado na univ indo de autocarro. Só se partisse 2 horas antes de ter de lá estar. Este tipo de ideias é muito bonita, mas só funciona se houver bons transportes públicos.
    O que podiam fazer era mandar abaixo o forum, construir lá um parque de estacionamento gigante com uma central de autocarros para as pessoas que vêem dos subúrbios poderem estacionar e partir para o seu trabalhinho de transporte público!

  5. Li este mesmo artigo hoje de manhã e não podia concordar mais.

    Eles lá falam dos “Campuses” norte americanos como um exemplo. Stanford não pode ser referência para ninguém, dado o constante rio de dinheiro que entra por aqui dentro, mas… é um sítio tão grande, tão calmo, tão limpo…

    A Alta deveria estar mesmo fechada ao trânsito. Só pessoas com autorização (paga, e a preço de ouro) é que poderiam circular dentro da zona e estacionar em zonas BEM delimitadas. Ao fim de contas, Coimbra não é assim tão grande…

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