Open Source is not a democracy

Um artigo bem interessante com um tema bem interessante.

Resumindo, fala da questão de em projectos open-source haver sempre uma decisão final de um líder (neste caso, o financiador do Ubuntu, Mark Shuttleworth) que pode não agradar a todos (ou a muitos). Como deve a comunidade reagir a essas tomadas de posição que no fundo contrariam o próprio espírito do movimento? Irão atitudes como esta influenciar a disposição de quem contribui para os projectos?

EDIT

Passei agora os olhos por outro artigo que merece relevo.

Um utilizador lança algumas críticas à nova distribuição do Ubuntu (10.04), nomeadamente ao tema (ser muito escuro), à remoção do GIMP, e ao GRUB. Em relação ao GRUB, não comento, mas já tive uma dor de cabeça só para pôr o menu a aparecer. Quanto ao GIMP, concordo com o primeiro comentário do artigo completamente: o GIMP é demasiado para simples edição de fotos. Mesmo até desenhar uma caixa colorida não é intuitivo.. Como fiz update ao meu sistema, e não o instalei limpo, não tive oportunidade de testar a instalação padrão, nem tenho metade dos programas que vinham por defeito instalados. Mas se na verdade tiraram o GIMP e puseram algo mais simples para edição de vídeo, concordo. E tal como diz o 1o comentário, apt-get install gimp :) Por fim em relação ao tema, não podia estar mais de acordo. Ficou mal, mas nada a que não me habitue. Deixo um screenshot do meu ecrã como está agora.

Screenshot Ubuntu Lucid Lynx (10.04)

O meu Ubuntu Lucid (10.04)

Cito só uma parte do primeiro comentário que achei de relevo e que está em parte ligada à primeira parte deste post e ao primeiro artigo:

Everyone is entitled to their grumblings, but lets see where they go. Mark has stated on his blog that he will be the first to hold up his hands and say he was wrong if the design changes aren’t received well.

2 thoughts on “Open Source is not a democracy

  1. Eia resposta grande :) Devias ter lido o 1o artigo, é mesmo muito interessante.

    Só para esclarecer. O Mark Shuttleworth tem o dinheiro por detrás do Ubuntu (aliás, da Canonical), ou seja, em nada contribui para o desenvolvimento do software em si.

    Agora por partes:

    “Acho que as pessoas tem uma noçao errada de democracia e liberdade. Muitas pensam que so hà liberdade quando hà democracia e que se hà democracia entao hà liberdade. Pensando que se a decisao final compete a um lider deixa de haver liberdade. Isso é completamente errado.”

    Estou plenamente de acordo contigo aqui. Muitas vezes confunde-se democracia (vontade da maioria) com consenso geral. E este último apesar de ser melhor (teoricamente) é virtualmente impossível, a meu ver, de atingir. Basta o grupo ter mais de 10 pessoas…

    “Està mais que provado que um grupo de trabalho funciona melhor com um lider do que em democracia, neste caso é o manager do Ubuntu. Ora, ele é a pessoa com mais experiencia no projecto e o que tem o trabalho todo por levar as coisas em frente. é normal que ele queira ter a decisao final.

    Nao ser democracia nao significa que o lider nao possa ouvir as opinioes de toda a gente.

    Eu ja estive varias vezes sob esse esquema de ordem. Em que um lider tomava a decisao final para o grupo. E eu nunca fui o lider, e devo dizer que todos estavamos contentes e tudo funcionava perfeitamente. Claro que o lìder ouvia as opinioes de todos, mas a decisao final era dele, sendo que ele era a pessoa com mais experiencia no grupo e que mais trabalho tinha em manter a coisa viva.”

    O problema principal aqui foi o facto dos botões de max/min/rest nas janelas terem passado para o lado direito. E foi um problema porque segundo alguns, não foi sequer dada uma pista de que tal ia acontecer. Li também que nem as pessoas da Design Team estão de acordo. Mas foi feito, e o Mark Shuttleworth, que de designer/developer pouco ou nada tem (é apenas quem injecta dinheiro no projecto) veio defender acerrimamente esta opção, com tiques de “ditador” na opinião de alguns.

    Dito isto, eu acho que o que se passou foi uma experiência que não podia ser testada de outra forma. Ou seja, foi de rompante, sim, tem problemas (incompatibilidade com alguns programas), sim. Mas qualquer beta feature passa por isto. Se calhar podia ter sido explicado decentemente o porquê de tal decisão. E se calhar podia ter sido experimentada numa versão sem ser uma LTS (como vai ser esta 10.04). Mas foi…

    Eu concordo perfeitamente com o que o Shuttleworth disse neste post:
    https://bugs.launchpad.net/ubuntu/+source/light-themes/+bug/532633/comments/167

    Parece muito autoritário, mas é. E é a verdade. Querem ter voz, pertençam à equipa. Trabalhem para tal. Eu vejo muitas vezes muitos utilizadores de programas a spammarem mailing lists com perguntas que eram evitadas se lessem o manual. As pessoas estão habituadas a ter tudo na mão, a ser tudo simples. E o que ali se viu foi que só quem merece é que tem voz. O resto, pode ser que chegue lá acima.

    Certo é que o Ubuntu funciona bem. Se não funcionasse, eu não o usava, tu não o usavas, e milhares de outros não o usavam. E certo é que esta estrutura funciona bem e não acho que seja por um (provável) erro que se lute contra ou que se destrua a comunidade. Acho que é uma prova de fogo sim, mas não vai acontecer nada de maior. Agora, também compreendo alguns dos participantes naquele Bug Report e concordo que realmente foram dados bons e válidos argumentos a favor da regressão desta característica. Talvez a Design Team os devesse ter em conta. Talvez a melhor opção fosse este Design não ser o default. Mas isso lá está, cabe-lhes a eles decidir. Isto quem não arrisca não petisca, e ainda há mês e meio para a versão final. Tempo para limar arestas e tempo para corrigir isto.

    “A questao està, serà que se o Mark Shuttleworth abandonasse o projecto o projecto continuava? Se a resposta è nao entao tem todo o direito em ter a decisao final. Se a resposta è sim, entao tem todo o direito à mesma em ter a decisao final sendo que è o lider. Open-source nao significa democracia. E o facismo/liderança nao é uma coisa negativa. Tudo depende de quem é o lider.

    Neste caso, acho que democracia nao vem de liberdade mas sim do facto de todos quererem mandar e ‘’ser o chefe” e ninguem se resignar à sua posiçao.”

    Se ele abandonasse o projecto o Ubuntu continuaria. Mas se calhar ir-se-ia perder qualidade. Passava a ser mais um Debian. Por alguma razão as pessoas preferem o Ubuntu ao Debian, é porque oferece algo novo/diferente/melhor. E acho que parte dessa razão se deve ao facto deste senhor ter andado a gastar dinheiro do bolso dele a construir a empresa que funda o desenvolvimento da distribuição.
    Como tudo, quando se dá a hipótese de se ter voz, há sempre quem ache que tem o direito de resmungar imenso. Como já disse lá em cima, a hierarquia no Ubuntu funciona por mérito. Quanto mais se contribuir e melhor, mais a nossa voz será ouvida. Daí, obviamente que as decisões estão na mão de um punhado de gente que já provou o que tinha a provar e que activamente, continuamente, contribui para o projecto. Ora, mas como também disse, se muita gente se revolta contra uma decisão, há que saber pôr o pé no travão e saber ouvir. Ao fim de contas, o Ubuntu não funciona sem a comunidade que o serve.

    “Eh como o Free Software, é gratis, mas tu é que o fizeste e nao queres que mais ninguem ande ali a escranfuxar. Como tu proprio disseste no outro dia é perfeitamente aceitàvel.”

    E continuo a dizer :) Mas neste caso não se aplica. Neste caso é uma decisão que está a ser (valentemente) contestada e a liderança está a ser teimosa em levar a deles avante. Vamos a ver o que acontece nos próximos 2 meses.

    ;)

  2. Boas,

    nao li os artigos, mas vou comentar consoante o teu post.

    Acho que as pessoas tem uma noçao errada de democracia e liberdade. Muitas pensam que so hà liberdade quando hà democracia e que se hà democracia entao hà liberdade. Pensando que se a decisao final compete a um lider deixa de haver liberdade. Isso é completamente errado.

    Està mais que provado que um grupo de trabalho funciona melhor com um lider do que em democracia, neste caso é o manager do Ubuntu. Ora, ele é a pessoa com mais experiencia no projecto e o que tem o trabalho todo por levar as coisas em frente. é normal que ele queira ter a decisao final.

    Nao ser democracia nao significa que o lider nao possa ouvir as opinioes de toda a gente.

    Eu ja estive varias vezes sob esse esquema de ordem. Em que um lider tomava a decisao final para o grupo. E eu nunca fui o lider, e devo dizer que todos estavamos contentes e tudo funcionava perfeitamente. Claro que o lìder ouvia as opinioes de todos, mas a decisao final era dele, sendo que ele era a pessoa com mais experiencia no grupo e que mais trabalho tinha em manter a coisa viva.

    A questao està, serà que se o Mark Shuttleworth abandonasse o projecto o projecto continuava? Se a resposta è nao entao tem todo o direito em ter a decisao final. Se a resposta è sim, entao tem todo o direito à mesma em ter a decisao final sendo que è o lider. Open-source nao significa democracia. E o facismo/liderança nao é uma coisa negativa. Tudo depende de quem é o lider.

    Neste caso, acho que democracia nao vem de liberdade mas sim do facto de todos quererem mandar e ”ser o chefe” e ninguem se resignar à sua posiçao.

    Eh como o Free Software, é gratis, mas tu é que o fizeste e nao queres que mais ninguem ande ali a escranfuxar. Como tu proprio disseste no outro dia é perfeitamente aceitàvel.

    Agora gostava de ouvir a tua opiniao JP :)

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