Parlamento rejeita actualização extraordinária das bolsas de investigação

(post escrito num teclado inglès, daì os erros nos acentos)

Ora aqui vai uma coisa positiva para o nosso futuro de investigadores! Nao hà dinheiro para ninguém! Apenas o prazer de trabalhar!!……………………..

Da notìcia no publico.pt

Os projectos de lei do PCP e do Bloco de Esquerda para a actualização extraordinária das bolsas de investigação foram rejeitados no Parlamento com os votos contra do PS e a abstenção do PSD e CDS.

Os dois diplomas tiveram os votos favoráveis do PCP, Bloco de Esquerda e Partido Ecologista Os Verdes.

O diploma dos comunistas visava estabelecer uma actualização que coincida com os aumentos decretados anualmente para todos os trabalhadores da administração pública.

Propunha ainda uma actualização imediata de 10 por cento nas bolsas inferiores a mil euros e de cinco por cento nos subsídios superiores àquele montante.

O Bloco de Esquerda pretendia que, extraordinariamente, as bolsas atribuídas pela Fundação para a Ciência e Tecnologia fossem actualizadas em 10 por cento quando se trate de subvenções inferiores a 800 euros, de cinco por cento para valores entre os 800 e os mil euros e dois por cento quando a bolsa ultrapassasse os mil euros.

O Bloco também defendia a criação de um mecanismo de atualização permanente, com um aumento anual indexado ao aumento salarial da função pública definido no Orçamento do Estado.

A Assembleia da República rejeitou ainda uma proposta do PCP sobre o Regime Jurídico da Educação Especial e outra do PEV que revoga o diploma que estipula os apoios especializados a prestar neste âmbito.

PCP, Bloco e PEV votaram favoravelmente, enquanto as restantes bancadas – PS, PSD e CDS – votaram contra, em ambos os casos.

Quanto aos diplomas sobre a integração nos quadros dos professores contratados, a votação foi adiada para a próxima semana, apesar de se ter realizado a discussão das propostas.

Aos projectos de lei do PCP e Bloco de Esquerda e ao projecto de resolução do PS, acabou por se juntar um outro projecto de resolução, do CDS, que recomenda ao Governo a integração excepcional dos docentes contratados com mais de 10 anos de serviço.

Vale a pena verem também os comentàrios. Vou postar apenas aqui um que me foi mais pròximo. Tenho pensado bastante nisso ultimamente, sei que voces também apesar de nao ter-mos falado muito sobre o assunto, é algo que tenho bastante interesse em ouvir de voces.

Segue entao o comentàrio de um dos leitores do Publico.

É uma tristeza muito grande o esforço que os meus pais fizeram para eu poder estudar e ter uma vida melhor que eles e ser o contrário, vivermos precariamente, nem sei se vou poder fazer o mesmo aos meus filhos…no meu caso, eu e o meu marido somos ambos bolseiros há 5-6 anos, neste momento os dois a fazer o doutoramento. Só com um fiador conseguímos um empréstimo para comprar a casa (sim porque até agora vivíamos numa casa emprestada) … já nos aumentaram a taxa de lucro do banco no empréstimo porque a transferência da FCT não conta como ordenado… É verdade que faço o que gosto, mas trabalhei muito e continuo a trabalhar para continuar a fazer o que gosto, só não esperava ter que pedir ajuda todos os meses aos meus pais e sogros para poder ter uma família minha. Tenho algum receio quando acabar a bolsa o que vai ser de nós… se calhar temos conhecimento a mais e não encontraremos trabalho… e aí vende-se a casa…. e volta-se para casa dos pais? Penso muitas vezes que deveriamos ter ído para fora de Portugal e talvez seja isso que vamos fazer depois do doutoramento… Portugal investiu e outros aproveitarão que cá não se aproveita… que desperdício… Eu sei que há muita …

Btw, alguém sabe como està o estado do Centro de Nanotechs que se construiu em Braga? Jà funciona? Ja se pode mandar CV para là?!

3 thoughts on “Parlamento rejeita actualização extraordinária das bolsas de investigação

  1. Boas! Obrigado Ana.

    Eu não me posso queixar hoje em dia do meu ordenado. Como bolseiro da FCT no estrangeiro, recebo bem.

    Mas não é a cena do receber bem ou mal que me deixa um bocado ‘desorientado’ diria eu. Acho que é mesmo a situação de ter um posto fixo que agonia toda a gente.

    Eu também sempre fui ‘aventureiro’ saí da minha cidade e família aos 18 anos para ir para uma Universidade de 500 Km e 8 horas de distância. Não fui o único mas fui um deles.

    Passada a Universidade, saí de Portugal para vir para Itália. Que apesar de ser muito bonita para os turistas.. anda cá minha querida Coimbra.

    Esta mudança custou-me um bocado porque os últimos meses que tive em Coimbra, tinha casa, carro, trabalho, uma família de amigos, uma vida estável diria eu, apesar de ser uma bolsa de 6 meses.

    É certo que aprendi e estou a aprender um montão de coisas, tanto a nível profissional como de vida.

    Mas ás vezes penso… que já estou farto de aprender tanta coisa nova… que apetecia-me estar sossegado no meu cantinho com o meu café e o meu ambiente familiar.

    Eles aqui em Itália vivem muito isso. Primeiro escolhem viver em Itália, na sua cidade, e depois logo se vê o trabalho. Nós não.. primeiro é o trabalho e depois logo se vê a família… somos mesmo o povo da saudade….

    virando o comentário para um parte mais económica… Não.. no futuro não será melhor. Daqui é sempre a descer até que haja uma grande reviravolta que virá com uma completa revolução na sociedade, quando passarmos por momentos de extrema necessidade, quando quisermos comida e não tivermos. Até lá será sempre a descer.

  2. Por estas e por outras é que tenho medo de concorrer à FCT..

    Bem, como disse a Ana, e muito bem, há que ter esperança. E se o futuro tiver que passar por sair do país, o mundo já não é assim tão grande, e a experiência vale a pena.

    Nós os 6 que o digamos né? :)

  3. Queria deixar uma palavra de solidariedade a todos os investigadores e doutorandos portugueses, especialmente aqueles que dependem de bolsas.
    É muito triste, tal como foi referido, que os nossos pais tenham feito um esforço enorme para nos proporcionar uma boa qualidade de vida e, no entanto, as perspectivas de que tal aconteça, parecem ser improváveis.
    Também eu sou aluna de doutoramento e tenho uma bolsa de investigação que, felizmente, é satisfatória. Sou uma privilegiada, sem dúvida No entanto, para a obter tive que sair de Portugal, tive que abdicar de estar com a minha família, amigos e de todas as actividades paralelas que exercia. Não sei quando poderei iniciar a minha própria família nem se, após estes anos fora de Portugal, o meu trabalho será reconhecido a ponto de me permitir regressar, com boas perspectivas de futuro.
    O facto de ter tido sempre um espírito aventureiro e uma enorme vontade de viajar, permite-me retirar o melhor de toda esta experiência. Contudo, as pessoas são diferentes e, para se poder lutar por futuro mais promissor, não deveria ser necessário pensar-se em sair do próprio país, como única alternativa viável.
    É ainda lamentável que devido a situaçóes como esta, Portugal vá perdendo ou desmotivando pessoas qualificadas de referência.
    Gosto muito do meu país, é e será sempre a minha casa. No entanto, não posso deixar de expressar a minha tristeza pela falta de investimento nos “nossos” recursos humanos.
    A todos os que se encontram em situações de precaridade, incerteza, desânimo, deixo os meus votos de que tudo se resolva pelo melhor. Acredito veemente que sim.
    Independentemente das condiçóes financeiras, alcançaram os vossos objectivos, formaram-se como profissionais de referência, não defraudando o investimento dos vossos pais e o vosso próprio. Por tudo isto, devem ser parabenizados. A partir daqui, tudo ha-de melhorar. Muito boa sorte.

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