Combater os níves de serotonina que não entendemos!

Somos autónomos do nosso pensamento.

É sabido que quando nos sentimos entusiasmados com a ciência ou estamos contentes porque estamos num jantar com os amigos, a neurotransmissão garante que assim nos sintamos e que com esse sentimento permaneçamos durante um determinado tempo, até que eventualmente os níveis basais são restabelecidos e mudemos de humor para um estado menos eufórico.

Mas….e quando “sentimos” que devemos estar tristes ou contentes mas, por alguma razão, não nos sentimos dessa forma? Nunca vos aconteceu saberem que estão chateados com algo mas, que por algum motivo que não sabem qual, estão bem e não vos afecta? Ou terem todas as razões do mundo para estar contentes, mas há algo que o impede e estão só “normal normal”?

Não é minha intenção com este post dizer nada de novo, mas evidenciar uma coisa e constatar outra:

O que gostaria de evidenciar é que está na nossa autonomia de pensamento a capacidadede forçar um estado de espírito que é aquele que nós sabemos ser o mais real, atendendo às características do último do dia mais significativas, ou acontecimentos da última semana mais significativos. Por alguma razão, o nosso cérebro assimila as experiências e transmite memórias para o estado consciente que parecem ser sinónimas de uma “decisão estado de espírito”, querendo dizer com isto que dá importância (inconsciente) a coisas e que, nalguns momentos, pode não reflectir o que sentimos, porque (adivinho) os circuítos de sinalização específicos para uma função cerebral não integram a informação de outros. Com certeza, que circuitos de integração resultam sempre na nossa capacidade de resolução e decisão final (não quero pôr religião aqui porque não há espaço para ela aqui nem em lado nenhum). O que é razoável pensar é que os circuitos individuais responsáveis por uma função específica participante do estado de espírito, pode estar tão activa ou subestimulada que influencia de um modo tendencioso o que nós “parecemos sentir”. Ainda por cima, tal como qualquer sistema biológico tem a sua variabilidade intríseca, também estes circuítos oscilam sem razão aparente e influenciam, mais uma vez, o estado emocional. A minha preocupação aqui (ainda na parte de evidenciar) é que nós é que sabemos o que é que nos faz contentes ou chateados, porra! Temos que aprender a viver com a oscilação dos neurotransmissores. Para isso, temos que contrapôr estados de espirítos incongruentes com aquilo que sabemos ser o nosso verdadeiro estado de espírito.

Seguindo para a 2ª parte, o que quero constatar, e que me levou uma introdução ridícula de não sei quantas linhas, é que apercebo-me que quando devo estar triste e não estou, eu tento mesmo ficar triste porque é estúpido não estar.

Só queria partilhar a cena de que o dar a volta aos mecanismos de operação basal do nosso cérebro é um bocado fodido, se pensarmos um bocado sobre isso, mas penso que deve ser feito. Esta é a minha posição actual em relação a este problema, Que é um problema.

13 thoughts on “Combater os níves de serotonina que não entendemos!

  1. Quero dizer que:
    se olharmos para o Eu (à parte da informação genética) como uma combinação de vivências e avaliação / interpretações dessas vivências (traduzidas sob a forma de emoções, estados psíquicos associados a memórias e modos de agir perante padrões de circunstância), então isto torna-se numa questão de tempo até que possamos traduzir o que vivemos (interpretando/avaliando) “bem o suficiente” para formarmos um Eu (com todo o inconsciente e consciente) o mais fidedigno possivel ao que o nosso consciente “diz” ser.
    Faz algum sentido isto?

  2. Espero que tenha tudo corrido bem com as mudanças mas, naturalmente, deixarei o resto para falar pessoalmente.

    Quanto ao tópico:
    Percebi o que disseste, zé. E pegando também no que o pug disse,
    pois pode ser que o nosso ritmo de vida as vezes não permita que o consciente se sobreponha, porque torna nosso cerebro mais suscpetivel de manifestar emoçoes e memorias, mas talvez mais aquelas que provêm de vivências não “avaliadas” pelo consciente, ou tão interpretadas o suficiente. Estava a tentar conciliar tudo o que foi dito…mas não estou a conseguir expressar-me muito bem. Acho que é por ter de ir fazer o jantar.

    Gosto da tua comparação, pug.
    Só um aparte: O buffer underrun” não é um pouco o inverso do “aliasing problem” ou ou do teorema de “Nyquist”, que tem a ver com a “sampling theory”?
    http://en.wikipedia.org/wiki/Nyquist_frequency

  3. Se atentarmos um pouco ao decorrer da discussão há um momento chave, imho, para a interpretação do que se passa: a definição do Damásio das camadas de pensamento.
    Num computador com linux por exemplo tens uma divisão semelhante, o bios (firmware para máquinas ppc), a parte que interage com o hardware e permite o interface com ele (mantendo-o a funcionar), o kernel, a ponte entre o user e o hardware e por fim o interface (a shell) ou GUI ou o que lhe quiserem chamar. Isto é relevante porquê? Um CPU é a máquina mais próxima que temos de processamento em relação ao cérebro humano (sem ref, opinião minha) e fazendo analogia a alguns fenómenos decorrentes do processamento em máquinas podemos explicar de uma forma mais tangível o que se passa connosco. Se bem percebi estamos a debater a incapacidade do nível consciente se sobrepor ao inconsciente e isso resultar num estado de espírito diferente daquele que seria de esperar se entrarmos em conta com os impulsos provenientes da camada consciente do cérebro. Imho isso será um resultado da dependência intrínseca entre as várias camadas do nosso sistema operativo. Quer queiramos quer não, somos uma máquina biológica e temos limitações, quer seja de memória, de processamento e principalmente de longevidade. Devido a essa longevidade limitada sujeitamos-nos a um ritmo de vida bastante alto e por vezes incompatível com as nossas capacidades no momento, então, apesar do input positivo do eu consciente, o eu senciente sobrepõe-se porque algo está errado ou diferente e requer adaptação. A situação acima descrita do estado de espírito é um caso clássico de buffer underrun (http://en.wikipedia.org/wiki/Buffer_underrun), quando a informação que te chega não é suficiente para te fazer pensar a full speed. Pelo menos no meu caso em particular, essa discrepância entre estado consciente e estado de espírito acontece quando realizo manobras repetitivas ou não tenho “nada para fazer”, o meu encéfalo ocupa-se a processar outros assuntos, mesmo a um nível inconsciente, que podem resultar num estado de espírito que em nada tem a ver com aquilo que seria “normal” tendo em conta a realidade. Isso acontece, penso eu, devido a algo que o Tex mencionou também, a memória! Quando activas uma memória ela causa-te emoção, pois é a repetição de uma situação, o bloco na qual foi guardada contém carga emocional! Porquê (indago-me eu e vós possivelmente), porque essa emoção foi o que fez o encéfalo adquirir a informação como importante e a guardou, porque essa situação perturbou ao 1º nível mas também ao segundo o que lhe conferiu uma importância elevada para a manutenção da “máquina” e essa aquisição aconteceu de forma a preparar a máquina para repetições futuras de uma conjuntura semelhante! O preço que temos a pagar por esta capacidade é a alteração do estado de espírito, por vezes, sem razão aparente. O nosso nível de vida (voltando acima um pouco) motiva vários estados de actividade do encéfalo (assim como os vários estados de um processador por exemplo (http://en.wikipedia.org/wiki/SpeedStep) e existe um “lag” entre cada nível. Da mesma forma que ficas triste quando devias estar a dar peidos de contente, por vezes também estás a tentar trabalhar e o teu “brain” não acompanha pelas mais variadas razões.

    Este testamento para quê? Antes de mais, porque tenho saudades de ter estas conversas com vocês de super na mão! Depois porque queria exprimir a explicação que tenho para esses fenómenos que nos acontecem.

    Talvez presencialmente conseguisse ser mais explícito, não me apetece escrever, tenho os dedos frios e estou a fazer mudanças! :D

  4. Boas,

    Penso que observar não significa deixar amolecer a mente. Observar não significa ficar parado a deixar as coisas acontecerem. Eu referia-me a algo do tipo:

    Estamos no carro e surge qualquer situação que nos faz querer chamar nomes ao condutor da frente.

    Nos estamos no carro, essa violência surge e reagimos com palavrões. Porque não apenas observar essa violência a surgir e deixa-la partir, sem termos de dizer os palavrões? Atenção que não estou a falar de controlo. Não estou a falar de deixar as coisas cá dentro. é um conceito completamente diferente.

    Disseste Henrique que gostas do controlo. O controlo é apenas mais uma mascara do deixar cá dentro. Vamos controlando ate que uma vez não conseguimos controlar mais e sai tudo cá para fora. Então porque havemos de deixar cá dentro?

    Respondendo à tua pergunta do consciente, pelo que sei o consciente vem do neocortex, a ultima zona do cérebro a surgir na escala evolutiva. Pelo menos do que me lembro do livro “A Alma está no cérebro” de Eduard Punset.

    Abraços

  5. Em relação ao que o Teixeira disse,

    Eu não acho que nos consigamos ser espectadores perfeitos. Tamos sempre a fazer juizos sobre tudo o que ouvimos etc. Temos sempre de ouvir outras opinioes, isso é essencial, mas temos de ter cuidado porque às vezes só ouvir faz com que simplesmente adoptemos a nossa maneira de pensar à retórica mais sedutora. Por isso acho importante, ainda que indecisos, manter uma atitude sempre activa. Também tende para o erro, mas que pode ser corrigido mais tarde com novos argumentos. Mas ter uma atitude passiva amolece-nos o raciocínio, e recupera-lo é bem mais complicado.

    Realmente esta linguagem e complicada, eu não gosto muito de a usar, mas neste tipo de coisas acho que é a mais pratica. Embora ainda nao tenha lido muito sobre isto, é das coisas que mais me intriga/fascina e eventualmente comecei a adoptar o vocabulario.

    Recomendo ao pessoal os videos/livros do Dan Dennett sobre filosofia da mente/biologia. Embora ele seja mais conhecido actualmente como um “cavaleiro do ateismo”, grande parte do seu trabalho foca-se nestas coisas, e é nesses topicos que o admiro muito.

  6. Concordo com o que disseste até a parte do dilema veg, mas a partir daí complica-se. O problema nem é tanto se isto for um fluxo unidireccional de informação. Aí o que vinha do consciente era sempre o mais importante, uma vez que era isso que somava sempre conteudo ao consciente. Mas o problema está em que no “fluxo da consciencia” muita coisa também vai afectar o inconsciente. Assim são as duas partes que se influenciam mutuamente, I-C e C-I. O que é que surgiu primeiro, o ovo ou a galinha? terá sido o inconsciente, porque todo o processamento inconsciente é feito nos cortices mais internos do cérebro. Mas o consciente “soma” todos os estados inconscientes, e por isso e que permite criar os modelos a partir da “raw data” do incosciente.

    Eu não sei mesmo responder as tuas perguntas, e por isso vou divagar.
    O que é mais importante para mim é o consciente, são as abtracções que falei, e essa posição só a sei tomar em termos pessoais e por introspecção. Embora o consciente seja mais um produto de algo do que um produtor em si, para mim, é mais importante o que fazemos com as batatas que temos, do que ter batatas (isto porque as batatas neste caso surgem quer queiramos quer nao, nega-las é recusar quem somos, não fazer uso delas é pura perguiça mental). Conhecendo a origem inconsciente dos meus pensamentos e o que isso envolve, consigo entendê-los melhor e agir em detrimento disso. Scito te ipsum

    Em relação à questão do controlo, parece bem (eu adoro a ideia de ter controlo), mas não é necessariamente verdade. Porque o que tu escolhes sempre teve uma base inconsciente que não tens acesso directo. Aqui gera-se uma regressão acção-consequencia infinita.
    E concordo com o facto de que o que vem do incosciente é tanto “nosso” como o “eu” consciente. Acho que exposes-te bem a parte da componente das oscilações aleatórias. Mas isso a mim faz-me considerar que somos muito mais acaso do gostariamos de admitir. E se dissermos que temos poder de escolha, temos de ter em conta que também ele é produto do acaso.
    Aqui vem um dos “bugs” do cérebro. Se dissermos a alguem que o universo veio do nada, e que no mundo quantico tudo é probabilistico, nao há mossa, as pessoas tendem a levar isso mais ao menos na boa. Agora, se extendermos isso à nossa psique…é capaz de nos deixar frustados.
    Assim parece-me que: Somos o que o incosciente diz, mas perpesctivamos ser o que o consciente considera. Nesse caso, podemos ser o I-C e C-I, não é?

    Devemos ser os unicos animais a ver o que somos e a reconhecermo-nos como tal. Mas também devemos ser os unicos com problemas existenciais e a desenvolver psicoses, deve tar tudo ligado.

  7. Neste comentário anterior tentei ir andando na discussão.

    Não me estou minimamente a focar numa explicação bioquímica para o facto de por vezes a forma como nos sentimos ser discrepante da forma como achamos que nos devemos sentir. Eu percebi perfeitamente isso, também me acontece. Mas depois no meu comentário fui apenas dizendo mais coisas que me vinham à cabeça.

    Mas pegando no que disseram, ou até mesmo repetindo de novo, essas situações acontecem-me quando o meu corpo está bem, a vida que imediatamente me rodeia está bem, mas algo na minha esfera de vida “mais afastada” não está bem. Muito cuidado com esta expressão “mais afastada” porque pode parecer um pouco egoísta.
    Mas é por esses moldes que essas situações me acontecem.

    (agora vou-me lembrando) onde eu quis chegar com o meu último comentário é à razão, psicológica e não tão química, de o porquê desses estados acontecerem. Ia até propor que se debatesse um bocadinho o estado de “irritado”.

    Isto porque tenho visto que se uma pessoa não acreditar na sua opinião, ou não estiver completamente convicto da sua imagem, da imagem que tem de si, então não terá motivos para ficar chateado.

    Ao não acreditares nas tuas ideias dás espaço à observação. E quando silenciamos a mente dessa vinculação às nossas crenças/ideias deparamo-nos com esses “conflitos”, que se calhar sempre estiveram lá, nós é que simplesmente nunca os ouvimos, e por isso ficávamos chateados.

    Era a este ponto que queria chegar no meu comentário anterior.

  8. Gosto da tua foto Zé, Raiden flutuador à chuva.. :)

    Agora explodiu na minha mente que não tem a ver com o doutoramento, mas talvez tenha a ver com coincidir com o facto de estar no doutoramento quando comecei a tomar atenção a este tipo de coisas.

    Acho que a palavra é mesmo essa, o dar atenção.

    Vocês falam com palavras muito complicadas :) e custa-me a seguir-vos. Diambulaçoes abstractas do consciente.. Poderiam explicar melhor?

    Sem duvida, os nossos sentimentos estão associados às memorias. Hoje em dia quando me lembro de uma situação que foi muito dolorosa na minha vida, a dor volta também. Nesse momento pergunto-me se a dor ainda faz ainda sentido, e se há algo na minha vida que deva fazer em relação a isso.

    é normal (acho eu) quando não tomamos nada como certo, começarmos a ouvir todas a opiniões que o nosso cérebro tem para nos dizer – em relação a que assunto for. Dai surge muita confusão e uma mistura de “estados de espírito”, porque não dispomos da segurança que trás o acreditarmos em algo. Acreditar em algo não significa religião, pode ser apenas acreditar na nossa opinião.

  9. Zé, eu não associo ao doutoramento. Foi uma reflexão geral.
    Depois discutimos isto melhor com uma leffe no buxo.

  10. Hey,

    Henrique, eu expus a situação baseada no senso comum. Desde que entrei na universidade, o meu interesse pela neurobiologia decaiu hiperbolicamente. Mais recentemente, comecei a interessar-me por este tipo de coisas. Nunca li nada sobre isto. Assim, o teu comentário foi bastate pertinente e elucidativo.
    Com as tuas palavras, percebi melhor aquilo que eu próprio estava a tentar dizer porque explicaste o problema de uma forma mais clara e correcta. Pois é exactamente isso! Esse é o problema. E a solução?

    Pegando no que disseste, seremos nós mais nós próprios por impormos o abstracto consciente em detrimento do que o inconsciente transmite ao consciente?

    Chamemos à transmissão inconsciente para o consciente “I-C”.
    É que, se se tratar de informação I-C proveninente de necessidades fisiológicas, não há confusão nenhuma na minha cabeça em deixar que o I-C se imponha aos meus modelos abstractos de estado de espírito. Pois se eu acho que me sinto bem psicologicamente em não comer carne porque sou vegetariano e essse é o meu “ser”, mas ao mesmo tempo encontro-me num sitio fechado onde so tenho uma vaca e uma faca à frente, pois eu vou comer a vaca a dada altura e o comer carne vai deixar de me fazer aflição psicológica (Foi um exemplo extremo mas usei-o pela dificuldade que há em arranjar bons exemplos intermédios).
    Agora, os modelos de estado abstractos também serão com certeza gerados pelo inconsciente; alguns deles. E os circuitos de sinalização permitiram que estes cheguem ao não ao consciente. Portanto, porque serão esses “pensamentos inconscientes” menos importantes que os nossos abstractos conscientes? Porque não há controlo neles, é isso? Pois, aí assumimos que o que está no nosso controlo define mais a nossa personalidade do que aquilo que não está. Eu gosto desta assunção. Parece-me bem. Mas lá está…”parece-me bem!” porque soa mais único, porque me define e porque eu defino! Contudo, o que vem da IC não tem que necessariamente ser menos individual e único que os nossos modos conscientes, querendo com isto dizer que, se o que se passa no inconsciente de cada nós é baseado nas nossas vivências e a componente aleatória / oscilativa desses modos inconscientes tem pouco peso, então esses mesmo modos inconscientes distinguem-nos de outras pessoas e fazem parte do nosso “eu”. Apesar de ser desconfortável, a parte incontrolável de nós pode mesmo fazer parte de nós, porque é diferente dos outros.

  11. Boas,

    Eu acho que se virmos a mente de uma maneira estruturada como sugerem muitos neurocientistas, como o António Damásio, pode tentar-se dar uma explicação para o problema. Por isso, vou tentar com o pouco que sei.
    O nível basal de processamento está interessado com o estado do organismo, a sua homeostasia etc. Daí vêm as emoçoes. No nível intermédio faz-se a relaçao entre as emoçoes e o organismo, chegando-se aos sentimentos. depois vem a parte consciente onde todo o processamento fino e feito, e que serve como uma framework para a resposta a “o que fazer a seguir?”. Como e que isto liga ao que dizes? Bem, se ao nivel de processamento fino, ou abstracto, tu tiveres noçao que a maneira como te sentes nao é mais adequada, isso é porque a parte consciente do cérebro nao esta a reportar necessariamente o estado do organismo, mas sim a testar varios modelos derivados da memoria que se adequem à situaçao actual. Mas este teste hipoteses não se impoe ao impeto das necessidades fisiologicas. Se por alguma razao, a nivel inconsciente tiveres alguma coisa a incomodar-te, entao vai ser esse o estado a tentar sobrepor-se. Parece que se gera um conflito interno. Dai vem a discrepancia entre o que sentimos e o que deviamos sentir. Por um lado tas a recorrer à memoria de acontecimentos para saber como “deves estar”, por outro tas a receber informaçao “directa” do teu inconsciente.
    Mas isto come-me a cabeça. Porque e relativamente facil entender que o cerebro serve para garantir os estados fisiologicos adequados. mas como e que tem capacidade infinita de criar modelos abstractos….isso tira-me o sono. E para mim e importante, porque as coisas mais relevantes que consituem a nossa personalidade derivam dessas consideraçoes abstractas. Parece que há uma distinçao entre a estrutura “hardwired” e os estados “artificiais” que o “eu” é. é facil criar essa distinção, mas é errado, porque é tudo derivado dos mesmos processos mentais, fisicos e mecanisticos. E como é que nós sabemos que estamos errados sem ter um elemento externo a dizer-nos isso..pior ainda.

    Cumprimentos ao pessoal mais velho

  12. Zé,

    Passa-se o mesmo comigo, muitas vezes no decorrer do tempo. Sinto por vezes que tenho todas as razões para estar contente, mas simplesmente estou triste. Ou tenho razões para estar triste e preocupado mas não me sinto assim. Chego a pensar o quão “má pessoa” serei por não me sentir triste ou preocupado nessas situações.

    Foi engraçado tentares explicar a cena através da biologia pura. Tens razão, afinal de contas é tudo neurónios… é tudo Na+ e K+.

    Nos últimos tempos tenho abordado o mesmo problema que aqui colocaste. Ás vezes pergunto-me se este tipo de oscilações de “estados de espírito” se devem à nossa condição de Ph D Students. Talvez até não tenha nada a ver com isso. Para responder a esta questão procuro muitas vezes na minha memória por situações iguais quando eu ainda não estava no doutoramento.

    Uma visão que me foi dada a conhecer recentemente é que nós podemos não acreditar no nosso cérebro. Esta revelação foi algo que me chocou bastante. Nunca tinha pensado na hipótese de não acreditarmos no que o nosso cérebro nos diz. Atenção, não acreditar não significa não ouvir. A ideia está em escutar o nosso cérebro, mas simplesmente sabermos que não somos obrigado a acreditar nele.

    É muito estranho e não sei se alguma vez fui capaz de o fazer mas certo é que hoje em dia o meu cérebro continua a bombardear-me com pensamentos que iriam certamente alterar o meu estado a espírito, mas eu simplesmente já reajo a esses pensamentos como um acto-reflexo. Os pensamentos tristes vêm, mas tento observá-los e deixá-los partir, e tentar compreende-los apenas.

    Passa-se o mesmo comigo, “é que apercebo-me que quando devo estar triste e não estou, eu tento mesmo ficar triste porque é estúpido não estar”. Ás vezes penso que apercebermo-nos dessas oscilações de “estado” é algo negativo, mas não o é. Ser-mos capazes de nos apercebermos de tal coisa é sem dúvida maravilhoso.

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